Delegados cobram melhor estrutura para a Polícia Civil
Emanuel Amaral
Ana Cláudia Saraiva, da Adepol, considera “heróis” os delegados que trabalham no interior do Estado
“Esses delegados que atuam no interior são verdadeiros heróis, que se desdobram para estar em diversos lugares, atendendo às demandas dos cidadãos. Existem alguns que acumulam até 20 municípios pelos quais são responsáveis. Como se pode esperar que, dessa forma, um delegado responda com eficiência, celeridade e extrema qualidade pelas suas funções?”, questiona.
Ana Cláudia Saraiva, da Adepol, considera “heróis” os delegados que trabalham no interior do EstadoAna Cláudia considera ainda mais grave a falta de efetivo policial, agentes e escrivães, nessas delegacias. “É ele (delegado) praticamente sozinho para atender uma demanda cada vez maior.” Por isso, a associação cobra a convocação e distribuição, o mais rápido possível, dos 90 futuros delegados que participam atualmente do curso de formação.“E já sabemos que mesmo esse número não é suficiente”, afirma a delegada.
Ela lembra que não basta a nomeação de pessoal, pois é necessário também estruturar as delegacias, com viaturas e equipamentos, além de informatizar o sistema de atendimento, interligando a Polícia Civil ao Judiciário. Atualmente, para obter a ficha criminal de um suspeito, por exemplo, o processo é lento e muitas vezes ineficiente. “Precisamos estar ligados ao Judiciário, para dispormos de uma troca imediata de informações”, defende.
Identificação
Um dos pontos da recomendação do MP encaminhada aos delegados da Polícia Civil diz respeito a falhas na identificação de presos, o que já teria inclusive resultado na liberação indevida de acusados contra quem havia mandados de prisão. Uma das ferramentas com a qual os delegados contam é a identificação criminal, feita pelo Itep.
“A estrutura do Itep não é suficiente para atender à demanda e essa identificação não é imediata. Imagine um delegado de plantão e chegando alguém sem identificação para ser autuado. A Polícia Militar, com mil ocorrências na rua, não pode passar a noite atrás de familiares e amigos da pessoa para conseguir os documentos do suspeito”, exemplifica.
Para Ana Cláudia, se há alguma falha técnica na produção do inquérito policial, é por falta de condições e não por omissão do delegado. “Como se pode cobrar eficiência, quando é humanamente impossível uma pessoa estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, exercendo suas funções sem efetivo e sem estrutura nenhuma?”
Nenhum comentário:
Postar um comentário