Aos 87 anos, Garibaldi Alves volta à vida pública; confira entrevista
Aos 87 anos, o suplente de senador Garibaldi Alves (PMDB) vai assumir, em janeiro de 2011, o mandato da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), que foi eleita governadora do estado no dia 3 deste mês. No intuito de perpetuar a tradição dos Alves na política, Garibaldi resolveu enfrentar os desafios de locomoção e a fragilidade da idade avançada para exercer o mandato de senador. Disposto e empolgado com o futuro político, ele declarou, em entrevista ao Diário de Natal, que pretende exercer os quatro anos de mandato.
Garibaldi Alves nasceu em 27 maio de 1923. É o quarto dos nove filhos do casal Nezinho e dona Liquinha Alves. Ele começou sua carreira política em 1958, quando foi eleito deputado estadual. Depois, foi reeleito para a Assembléia Legislativa por duas vezes: em 1962 e em 1966. Durante a Ditadura Militar (1964/1985), em 1969, teve seu mandato parlamentar cassado e seus direitos políticos suspensos por dez anos, da mesma maneira que seus irmãos, o ex-governador Aluízio Alves e o então prefeito de Natal, Agnelo Alves.
Depois de sua cassação, assumiu nos anos 70, a superintendência das empresas do grupo têxtil UEB no Rio Grande do Norte. Na década de 1980, foi vice-governador na gestão do então governador Geraldo Melo (1987-1990). Durante aquela administração, assumiu o governo do Rio Grande do Norte por duas vezes. Passados 21 anos, Garibaldi retorna à política ao lado do filho, no Senado. Sua principal bandeira será a defesa do agricultor.
Pai será liderado pelo filho
Mais do que um projeto político, a vitória da senadora Rosalba Ciarlini (DEM) para o governo do estado simbolizou a realização de um sonho para a família Alves. Pela primeira vez, o senador Garibaldi Filho (PMDB) vai exercer, a partir do ano que vem, um mandato público ao lado do pai, Garibaldi Alves (PMDB). Além disso, o filho ainda ganhou o presente de ter o pai morando, em Brasília, no apartamento vizinho ao dele.
Os peemedebistas também seguirão afinados na mesma linha política. Pai e filho trabalham para eleger a presidenciável Dilma Roussef (PT) no segundo turno das eleições. E, dessa vez, em Brasília, os papéis serão invertidos. Referência na vida pública do filho, o pai agora vai ser liderado. Segundo Garibaldi Alves, seu filho será seu condutor político no Senador. "Serei liderado de Garibaldi, pelo fato de ele já ter experiência como senador, inclusive tendo sido presidente do Senado", declarou.
Garibaldi Alves e Garibaldi Filho formarão, junto com o senador José Agripino (DEM), a bancada do Rio Grande do Norte no Senado Federal. Os três são aliados da governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM). Garibaldi Alves prometeu, junto com o filho, ficar atendo para as necessidades do estado. "Estarei focado em ajudar em tudo o que eu puder o crescimento do RN", afirmou.
Entrevista >> Garibaldi Alves
"Não virei a Natal com frequência. Não gosto de avião"
Depois de 21 anos fora da política, o que move o senhor a voltar a exercer um cargo público?
A minha família nasceu com esta vocação. Meu pai foi prefeito. Tive um irmão governador, Aluísio Alves. Fui deputado estadual e vice-governador. Meu filho é senador. Todos nós estamos envolvidos na política e graças a Deus temos ficha limpa. O resultado dessa eleição não me surpreendeu. Eu estava absolutamente certo de que seriamos eleitos [Rosalba Ciarlini - DEM] e reeleitos [Garibaldi Filho - PMDB].
Como será sua rotina de senador do Rio Grande do Norte em Brasília, tendo em vista que o senhor já tem uma idade avançada?
Olha, eu vou residir em Brasília. Claro que ficarei vindo a Natal. Mas não com a mesma frequência que Garibaldi Filho. Ele passou alguns meses indo na terça para Brasília e voltando na sexta para Natal. Não terei essa rotina. Logo porque eu não gosto muito de viajar de avião. Dizem que é o meio de transporte mais seguro no mundo. Mas eu tive no meu primeiro voo uma experiência muito desagradável. Na hora da saída, teve aquele impacto inicial e uma freira que ia ao meu lado gritava terrivelmente. Aquilo me machucou bastante. Tanto que sempre que entro no avião rezo, procuro esquecer desse episódio, mas não há jeito. Sempre viajo, fico um pouquinho nervoso.
Como vai ser para o senhor exercer o mandato de senador ao lado de Garibaldi Filho?
Garibaldi Alves Filho, além de ser meu filho, eu sou um grande amigo dele e ele um grande amigo meu. Ele será meu líder lá no Senado. Primeiro porque ele é senador pela segunda vez, com um bom conceito no Senado, tanto que já exerceu o mandato de presidente do Senado. Eu serei muito atento aos interesses do Rio Grande do Norte obedecendo a liderança do meu filho.
O senhor pretende cumprir os quatro anos de mandato ou vai deixar um período para que Ivonete Dantas, a segunda suplente da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), exerça a função?
Eu pretendo exercer os quatro anos de mandato, a não ser que tenhamos um acontecimento político que possa modificar minha atitude. Mas, minha intenção é permanecer.
Qual será sua principal bandeira política no Congresso Nacional?
A minha atividade é agrícola-pastoril, que vem passando por muitas dificuldades, uma crise enorme. O inverno praticamente não ouve, no sertão do Rio Grande do Norte. Isso pra quem cria gado, como eu, embora seja um rebanho pequeno, passa por grande dificuldade. Estou tendo dificuldade para salvar o pouco gado que resta. A ração ideal é bagaço de cana, mas como as usinas do estado não vendem. Agora comprei milho para aproveitar a palha, a semente e o produto e alimentar o gado. Vamos ver no que é que dar. No Senado, meu primeiro pronunciamento será fazer um apelo ao Governo Federal no sentido de ajudar ao agricultor e pecuarista do Rio Grande do Norte.
No Congresso Nacional, o PMDB historicamente tem uma ala que segue o governo e outra que faz oposição. Qual será seu posicionamento?
Eu devo declarar o seguinte: Lula realizou um grande governo. Evidentemente, tenho algumas restrições políticas em relaçãoa ele, mas não é ao administrador, somente ao político. Mas, nessa eleição, eu apoiei a candidata dele à presidência da República, Dilma Roussef, e creio que meu filho, neste segundo turno, vai se empenhar muito neste rumo.